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Mobilidade elétrica: uma necessidade contagiante

Em 2010 despertei para a sustentabilidade energética quando promovi um projeto de instalação de microgeração fotovoltaica no condomínio onde habitava. Foram 100 painéis solares para autoconsumo e redução da fatura da energia em 5 edifícios. Este aproveitamento dos recursos renováveis fez-me refletir também sobre a mobilidade quotidiana levando-me a procurar formas de redução da pegada ambiental.

A minha curiosidade oriunda da formação em engenharia foi despertando cada vez mais e foi no Fórum Nova Energia que descobri as motas elétricas pelos ainda poucos utilizadores de veículos elétricos que davam os primeiros passos por cá. Em 2011 juntei-me a eles com uma scooter 100% elétrica (Ekoway ML5000) que, com uma autonomia de 70 km, me permitia deixar um carro a diesel em casa para os trajetos diários casa-trabalho. A poupança em tempo (ganho no trânsito), combustível, custos de estacionamento e principalmente eficiência energética era bem quantificável e ao fim de 4 anos e 34.000 km já tinha poupado duas vezes o que tinha gasto na compra da mota.

Já em família, esta mudança de paradigma fez-nos ver que não fazia sentido manter dois veículos a combustão pelo que, em 2014, os trocámos ambos os diesel por um carro elétrico com tecnologia PHEV dado que, mesmo que carregando diariamente em casa, já eramos 2 adultos e 3 crianças pequenas e não havia ainda confiança na rede pública de carregamento para as viagens grandes que fazíamos (que só tinha 5 carregadores rápidos e alguns postos normais a funcionar). Foi a escolha acertada, pois diariamente este só necessita dos 40-50 km de autonomia elétrica que dispõe. Por ser ainda uma novidade, criei nesse ano uma comunidade em torno desse veículo (Mitsubishi Outlander PHEV), a qual conta hoje com 12.500 utilizadores. Como não temos um perfil consumista e não trocamos de carro com regularidade, este ainda serve para a vida familiar e passados 6 anos tem um consumo médio de 1,4 L/100km, resultado de muitos dias sempre em modo elétrico e de algumas viagens maiores, sempre sem qualquer stress de chegar ao destino. Muito em breve poderá ser trocado por um 100% elétrico pois a tecnologia já evoluiu trazendo mais oferta com maiores autonomias (usados inclusive), assim como uma rede de carregamento pública mais ampla e funcional.

Nas duas rodas a evolução foi também natural passando em 2015 para uma maxi-scooter 100% elétrica (BMW C-evolution) com maior autonomia (100 km), mais qualidade e assistência, tecnologia e principalmente mais segurança (ABS e controlo de tração). Conta atualmente com 66.000 km e as poupanças ao fim de 5 anos de uso diário em combustível/energia, manutenção e impostos colocam-na já 40% mais barata face ao modelo a combustão equivalente da mesma marca.

Nesse mesmo ano de 2015 a comunidade crescente de utilizadores pioneiros de veículos elétricos resolveu organizar-se oficialmente numa associação com caráter nacional para a promoção, crescimento e proliferação de melhores condições para esse modo de mobilidade sustentável. Assim nasceu a UVE Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos de um conjunto de utilizadores voluntários, mas apaixonados por todo o tipo de veículos elétricos, grupo do qual tenho orgulho em ser cofundador e colaborador.

A sustentabilidade já fazia cada vez mais parte da família e quando mudámos para uma nova casa tudo foi pensado para uma maior eficiência e poupança energética: instalámos iluminação em LED de baixo consumo, sistemas de monitorização online de consumos, trocámos o fogão a gás por uma placa de indução, montámos um sistema de AQS (aguas quentes sanitárias) com termossifão no telhado (deixando ser necessário esquentador a combustão) e ainda um sistema de autoconsumo fotovoltaico com 2 painéis para atenuar os gastos energéticos em casa durante o dia. O investimento em sistemas solares foi moderado, mas assentou na premissa de se conseguir obter o retorno num prazo de poucos anos, mas ao fim de dois anos de utilização, já de notava a diferença na fatura mensal de cerca de -20%.

Mais do que a simples poupança, estes sistemas permitem ensinar a família acerca do valor das energias renováveis em detrimento das baseadas em combustíveis fosseis, estas últimas que tanto nos prejudicam a todos em termos sociais, ambientais e de saúde. Os meus filhos sabem que durante o dia a casa é alimentada mais tempo pelo sol (no quadro elétrico até podem ver esses valores em tempo real), e até renomearam as siglas de ‘AQS’ para ‘Água Quente do Sol’, usada quando tomam banhos.

Todo este movimento foi dando provas reais do seu valor contagiando mais elementos na família a tomarem as mesmas opções. A minha irmã trocou um velho diesel por um 100% elétrico (Nissan Leaf) que lhe serve perfeitamente para os trajetos diários com emissões zero. Os meus pais, depois de instalarem também um sistema de autoconsumo fotovoltaico com 6 painéis, trocam também os dois veículos que andavam cheios de problemas e alimentados com ‘sumo de dinossauro’ por outros dois equivalentes, mas 100% elétricos (Peugeot iON e Hyundai Kauai Electric). Ficaram desde logo convencidos pela simplicidade, fiabilidade e poupança que estes trazem ao dia-a-dia.

Os próximos passos?

Ficarmos ainda mais independentes energeticamente com mais renováveis, aumentando os painéis solares e um sistema de armazenamento de energia em baterias que sirva para alimentar toda a casa, dia e noite, assim como carregar os veículos elétricos maioritariamente com produção solar. Vai levar mais tempo a amortizar o investimento, mas nesse âmbito existem outros vetores a contabilizar como a responsabilidade ambiental, social e até familiar.

Existe tanto ainda por fazer que um dia poderei até vir a trabalhar a minha engenharia nesta área sem ser no atual regime de ‘amor á camisola’ pela mobilidade elétrica.

Concluindo…

As novas formas de energia e do uso eficiente desta estão a moldar o presente para mudar o futuro, e a mobilidade elétrica é um dos meios que dispomos para passar da teoria à prática, com atos concretos em vez de virtualmente reprovarmos, mas nada fazermos, sempre que vemos uma má noticia sobre as alterações climáticas, as tais que nos vão afetando a todos. Não dá para se investir num veículo novo? Já existe um mercado grande de elétricos usados a bom preço. Não temos forma de carregar em casa ou no trabalho? Vamos uma ou duas vezes por semana a um carregador rápido e ‘enchemos’ umas centenas de km como já hoje se faz com os combustíveis fósseis (que também ninguém ‘carrega’ em casa). Todas as semanas surgem novos postos. É diferente do que estamos habituados? Talvez, mas só no início, pois a grandeza das virtudes da mobilidade elétrica supera em muito as dificuldades, e depois já nem pensamos voltar atrás.

Em jeito de conclusão, e como se diz na UVE: não sejam fósseis!

Apaixonado por mobilidade elétrica

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